sábado, outubro 23, 2010

Lua adversa



LUA ADVERSA

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...


(Cecília Meireles)

terça-feira, outubro 19, 2010

Contrariedades Humanas

A virginiana e a iraniana



Os ocidentais se dessensibilizaram com o grande número de execuções legais efetivadas nos Estados Unidos. Entretanto, nos horroriza a ideia de que uma mulher possa morrer no Irã, massacrada por uma chuva de pedras.


No mês passado, Teresa Lewis foi executada na Virgínia com uma injeção letal. Ninguém será punido por seu assassinato porque ela foi condenada à morte legalmente: tinha planejado o assassinato de marido e o do filho adotivo – o que, logicamente, é ilegal – e os que a mataram , consequentemente, atuaram com a bênção das autoridades.

Talvez devêssemos reformular o sexto mandamento para um que afirme: "Não matarás sem permissão". Afinal, durante séculos temos venerado as bandeiras dos soldados que, estando em guerra, têm licença para matar, como James Bond.

E, agora, comenta-se que o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad respondeu aos pedidos ocidentais de clemência para uma suposta adúltera condenada a morrer apedrejada – o castigo foi suspenso, mas as autoridades afirmam que ele continua sendo uma possibilidade – dizendo, essencialmente, o seguinte: "Vocês reclamam porque queremos matar legalmente uma mulher iraniana quando matam legalmente uma norte-americana".

Uma objeção à lógica de Ahmadinejad é que a norte-americana orquestrou o assassinato de seu marido, enquanto a iraniana, Sakineh Mohammadi Ashtiani, apenas foi infiel. A norte-americana morreu sem dor, enquanto a iraniana corre o risco de morrer de forma brutalmente dolorosa. Mas uma resposta desse tipo implica duas coisas: que enquanto uma adúltera não deveria ser punida mais do que com uma separação legal, sem direito à pensão, é aceitável castigar assassinos com a pena capital – desde que o método de execução não seja muito doloroso.

Se nosso julgamento não estivesse tão nublado, talvez víssemos a questão mais ampla: nem os assassinos devem ser condenados à morte, nem as sociedades devem matar os seus cidadãos, mesmo depois de um devido processo e mesmo se a execução for relativamente indolor.

Como responderiam os cidadãos dos países democráticos ao líder de um país bastante antidemocrático quando nos pede que não critiquemos a pena capital no Irã, já que alguns deles também possuem castigos mortais cruéis?

A situação é bem embaraçosa e gostaria de saber se esses ocidentais (em cujas fileiras se encontra a primeira-dama da França, Carla Bruni-Sarkozy) que protestam contra a pena de morte do Irã, também protestaram contra a dos Estados Unidos. Suspeito que a maioria não.

Os ocidentais se dessensibilizaram com o grande número de execuções legais nos Estados Unidos. Entretanto, nos horroriza a ideia de que uma mulher morra no Irã massacrada por uma chuva de pedras. Logicamente não sou imune a isso: quando me enviaram um pedido para que me manifestasse contra o apedrejamento de Ashtiani, assinei-o de imediato.

Ao mesmo tempo, passei por cima do fato de que a virginiana Teresa Lewis ia ser executada.

Nós, os ocidentais, teríamos protestado com a mesma intensidade se Ashtiani tivesse sido condenada a morrer por injeção letal? Ficamos indignados com o apedrejamento ou com a execução de infratores do sétimo mandamento – "Não cometerás adultério" – em lugar do sexto? Não tenho certeza, mas o fato é que as reações humanas muitas vezes são instintivas e irracionais.

Em agosto último encontrei um site na internet que descrevia várias formas de cozinhar um gato. Sem se importar se era brincadeira ou algo sério, os defensores dos direitos dos animais ergueram a voz em todo o mundo.

Adoro os gatos. São uma das poucas criaturas que não se deixam ser exploradas por seus donos – ao contrário, exploram-nos com um cinismo olímpico – e seu afeto pela casa prefigura uma forma de patriotismo. Assim, ficaria repugnado se me oferecessem um prato de guisado de gato. Por outro lado, os coelhos me parecem tão lindos quanto os gatos – e ainda assim os como sem nenhum escrúpulo.

Escandaliza-me ver cachorros passeando livremente em suas casas chinesas, brincando com as crianças, quando todo mundo sabe que serão comidos no final do ano. Mas os porcos – animais bastante inteligentes, segundo me dizem – perambulam pelos sítios ocidentais e poucas pessoas se preocupam com o fato de que eles vão virar presunto. O que nos leva a considerar incomíveis certos animais, quando os antropomorfizamos, enquanto outras criaturas adoráveis – bezerros, por exemplo, ou cordeirinhos – nos parecem bem apetitosas?

Nós, humanos, somos animais bastante estranhos, capazes de muito amor e de um cinismo assustador, tão dispostos a proteger um peixinho dourado quanto a ferver uma lagosta viva, esmagar uma centopeia sem remorsos e chamar de bárbaro quem mata uma borboleta. De mesma forma, aplicamos uma moral dupla quando enfrentamos as penas capitais: nos escandalizamos com uma e fazemos vista grossa à outra.

Algumas vezes me sinto tentado a concordar com o escritor romeno Emil Mihai Cioran, que afirmou que a Criação, tendo escapado das mãos de Deus, deve ter ficado a cargo de um demiurgo: um trapalhão desajeitado, talvez um pouco bêbado, que se pôs a trabalhar tendo em mente algumas ideias bastante confusas.

(Umberto Eco - 17/10/2010)

quinta-feira, outubro 14, 2010

Encontros e Desencontros

"Hoje você voltou ao meu pensamento

Tão rápido como o vento

Soprando numa noite fria

Quando eu, sem conseguir segurar, te perdia.

Mas como toda a tempestade passa

Você também há de passar.

Chega de se enganar,

É hora de se partir, de se cortar

Nos encontros e desencontros da vida

Ainda vou curar esta ferida

Que quase me arrasou

Quando você levou

Tudo de bom que havia

Como se pensasse que amor

Se acha da noite para o dia".

(Autor desconhecido)

Encontros e Desencontros

"Hoje você voltou ao meu pensamento

Tão rápido como o vento

Soprando numa noite fria

Quando eu, sem conseguir segurar, te perdia.

Mas como toda a tempestade passa

Você também há de passar.

Chega de se enganar,

É hora de se partir, de se cortar

Nos encontros e desencontros da vida

Ainda vou curar esta ferida

Que quase me arrasou

Quando você levou

Tudo de bom que havia

Como se pensasse que amor

Se acha da noite para o dia".

(Autor desconhecido)

terça-feira, outubro 05, 2010

segunda-feira, outubro 04, 2010

Relembrando ...

Ontem, dia de eleição, retornei ao lugar onde morei quando me casei ...Paulicéia...
Depois de cumprir com a obrigação do voto, fui dar uma volta no lugar onde iniciei uma nova fase da minha vida.

Foi lá o meu primeiro apartamento, onde nasceram minhas filhas. Parei na frente do prédio, fiquei horas olhando, observando... é um lugar tranquilo, com pouco movimento.
O rio que antes , quando chovia, a água chegava até o início do estacionamento do prédio, hoje foi canalizado. Debrucei ali e fiquei horas olhando aquelas águas sujas, poluídas se movimentando...

Não fosse uum rapaz estar lá também olhando, teria ficado mais tempo ali...
Chorei ...chorei muito... vi minhas filhas pequenas andando de bicicleta ali na rua, não tem movimento algum a não ser o dos próprios moradores...

Quantas lembranças vieram à tona! Tenho fotos das meninas passeando de bicicleta por ali...

O prédio está bem diferente...a cor é a mesma, verde, mas fizeram um grafiato do lado de fora e trocaram as janelas , esquadrias de alumínio.

Ninguém podia imaginar tudo o que estava sentindo naquele momento! Uma volta ao passado, que foi regado com poucas alegrias e muita tristeza!

Meu ex-marido era um alcólatra, trabalhava como chefe de compras da Mercedes-Benz. Aliás, nosso apartamento ficava no final , em frente à Mercedes.

A Rua 31 de Março está linda, muito bem cuidada, ampla! O local onde comecei minha vida independente, onde fiz minha familia, mudou muito, está mais com jeito de cidade... Muitos barzinhos, estabelecimentos comerciais, mais árvores, flores...

Resolvi ver também o local onde fui estuprada! O dia mais triste da minha vida, 07 de Julho! Além de passar por todo o tipo de humilhações, com uma arma apontada para minha cabeça, tendo a certeza de que , quando tudo terminasse o estuprador iria me matar, a incompreensão do meu ex-marido, as acusações, as desconfianças. Ele só pensava no "ego" ferido dele, marido traído, jamais me viu como vítima, que sofreu todo tipo de humilhação e que me custou anos de terapia!

Pude perceber que ainda trago as mágoas, as cicatrizes, as marcas desse dia! Não consegui superar de todo... fiquei aos prantos ali, revivendo aqueles momentos tão difíceis e que se tornaram piores com a incompreensão daquele que jurava me amar!
Chorei... chorei ...chorei ... passei o dia péssima, sem vontade de nada.

Eleição ? Pra que? Esta foi mais uma palhaçada, que não muda em nada minha vida!
Tenho a impressão de que esta foi a última vez que voto... acho que minha alma está se preparando... minha missão aqui, neste "Lar" está chegando ao fim...

Assim que meu apartamento novo sair, eu conseguir deixar tudo certo para minhas filhas, não tenho mais o que fazer aqui não!

Estou sentindo uma necessidade enorme de ver parentes que não vejo há anos, amigos, ir a lugares onde vivi alguma parte da minha vida...

Dizem que quando o espírito começa a se preocupar com isso é a preparação para a Nova Morada, o Novo Lar.

Mas, não estou triste com isto não, aceito sem reclamações, com serenidade. Deus sabe o que faz! Não quero chegar no "Umbral" sem saber o que aconteceu. Tenho consciência disso!

Tive uma vida descente, sempre fiz tudo por mim mesma, ninguém nunca me ajudou em nada. Batalhei,trabalhei, lutei, fiz tudo que estava ao meu alcance.

Vou em paz!

sábado, outubro 02, 2010

Saudade de "você"...

São quase 2:00 hs da manhã, o sono não chega...Daqui a pouco tenho mil coisas pra resolver.
Eu aqui, diante desta telinha, pensando em você...
Como seria maravilhoso se estivesse aqui comigo !
Te amo tanto... tenho saudade dessa sua boca gulosa, dos seus abraços apertados, do calor do seu corpo no meu...
É um amor tão louco, né baby?
Se eu fosse você, eu não me perderia!
Vem comigo, minha paixão!
Te amo muito!